CP-II, CP-IV, CP-V: qual cimento usar em cada etapa
Todo saco de cimento parece igual até a hora em que a peça demora para desformar ou o reboco racha. A sigla impressa no saco diz muita coisa: ela indica o que foi misturado ao clínquer e, por consequência, como aquele cimento se comporta na obra.
O que significam as siglas
| Tipo | Nome | Onde vai melhor |
|---|---|---|
| CP-II | Cimento composto | Uso geral: estrutura, contrapiso, assentamento e reboco |
| CP-III | Com escória de alto-forno | Obras grandes, fundações e ambientes agressivos; ganha resistência mais devagar |
| CP-IV | Pozolânico | Concreto-massa, ambientes úmidos e contato com água |
| CP-V ARI | Alta resistência inicial | Quando é preciso desformar rápido: pré-moldados, pisos, reparos |
Na prática, para uma obra residencial
- Fundação e estrutura: CP-II é o caminho mais comum e mais barato. Em terreno com solo úmido ou muito sulfato, vale conversar sobre CP-IV.
- Contrapiso e piso: CP-II resolve; se a obra está apertada de prazo, o CP-V acelera a liberação para caminhar.
- Assentamento e reboco: CP-II com cal. Aqui o que manda é a trabalhabilidade, não a resistência.
- Peças pré-moldadas e reparos rápidos: CP-V ARI, sem discussão.
Atenção ao número que vem depois da sigla (25, 32, 40). Ele é a resistência em MPa aos 28 dias. Para casa comum, o 32 dá conta da estrutura; o 25 costuma ficar restrito a argamassas.
Três cuidados que salvam o saco de cimento
- Não empilhe direto no chão. Use um estrado de madeira e afaste da parede: umidade endurece o saco em poucos dias.
- Máximo de 10 sacos empilhados quando o armazenamento passar de 15 dias.
- Olhe a data de fabricação. Cimento tem validade (normalmente 90 dias); saco empedrado não volta atrás, mesmo depois de amassado.
Na dúvida, leve a etapa da obra para a loja em vez do nome do produto: “vou concretar a laje na sexta” diz mais do que “quero um cimento bom”. A partir daí é fácil indicar o tipo e a quantidade certa.